Lynyrd Skynyrd: Juiz Bloqueia Lançamento De filme Sobre A Banda
Numa decisão judicial tomada nesta passada segunda-feira, 28 de Agosto, um juiz impediu a realização de um filme sobre o trágico acidente que vitimou grande parte dos Lynyrd Skynyrd em 1977 sob a perspectiva – e com a assistência – do baterista Artimus Pyle. O detalhe é que apenas a participação de Pyle no filme foi a causadora do veto emitido pelo juiz Robert W. Sweet, de Nova Iorque, contra a Cleopatra Records, produtora do filme “Street Survivor: The True Story of the Lynyrd Skynyrd Plane Crash”; sem ele, a produção do filme, em tese, poderia prosseguir.
O que acontece é que, em conjunto com o guitarrista Gary Rossington, fundador e actual membro dos Lynyrd Skynyrd, as famílias de Ronnie Van Zant e Steve Gaines – dois membros da banda que faleceram no acidente – moveram uma acção contra a intenção de Pyle de participar como consultor e co-produtor do filme em troca de 5% da receita líquida. A alegação deles é que a participação directa de Pyle viola um acordo de 1987 que prevê a presença de pelo menos três membros da banda pré-acidente em qualquer projecto relacionado com a banda – é de lembrar que este acordo não tem sido cumprido à risca, já que desde a morte do tecladista Billy Powell em 2009, Rossington e o guitarrista Rickey Medlocke – que tocou por um breve período na banda em 1971 e só regressou em 1996 – são os dois únicos membros da formação pré-acidente que fazem parte do line-up que tem andado na estrada desde então.
Os advogados de Pyle e da Cleopatra alegaram que seus clientes tem “o direito constitucional de se expressar no objecto do que está sendo exigido: ao produzir e lançar o filme, a Cleopatra está a exercer o seu direito de fazer um filme sobre um evento relevante do passado, algo que é protegido pela liberdade de expressão como está expresso na constituição”. Mas os representantes da família Van Zant e Gaines rebateram o argumento, com a alegação que a Cleopatra é sim livre para fazer o filme sobre os Lynyrd Skynyrd e/ou sobre o acidente, mas o que eles não podem legalmente é fazer um filme com a participação de Pyle pois isto viola o acordo de 1987.
E foi este argumento que o juiz usou, declarando na sua decisão que a participação de Pyle representa, de facto, o que foi apresentado pela Cleopatra, de que o filme conta a história de Pyle, e fica claro que ele desempenha um papel central no filme, tanto que os Lynyrd são sempre mencionados sob a óptica do baterista. Mas o juiz nota que o oposto também não acontece, ou seja, nenhuma parte da história mostra Pyle fora da banda, portanto não restam dúvidas que o filme é sobre os Lynyrd Skynyrd e não apenas sobre o baterista. Portanto houve sim uma quebra do acordo, e com isto o juiz vetou o filme nas condições em que estava a ser produzido.
E o próprio juiz não resistiu e usou um trocadilho mencionando uma famosíssima canção da banda ao reiterar que a Cleopatra pode continuar em frente desde que seja removida a participação de Pyle. “A Cleopatra está proibida de fazer este filme enquanto seu parceiro (Pyle) não contribua de forma substancial para o projecto como vinha sendo feito até aqui; sob outras circunstâncias, a Cleopatra pode ser ‘livre como um pássaro’ (“Free as a bird”) para produzir e distribuir o seu trabalho”.