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03 Junho 2026

Investigadores do Porto criam robô que monitoriza mar profundo

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Investigadores do Porto desenvolveram um robot que permite observar e monitorizar o mar em áreas vastas e a grande profundidade, dispensando navios de investigação e apresentando custos mais baixos do que os atuais, foi divulgado.

Arobô PETRA representa “um passo de gigante no sentido de facilitar operações em lugares remotos minimizando a necessidade de recorrer a embarcações”, já que as soluções que permite são “diversas e transversais a vários cenários”, descreve, em comunicado, o INESC TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência.

O equipamento tem “propriedades únicas que tornam possível manter uma infraestrutura submarina sem recorrer, de forma contínua, a navios de investigação ou de operação ‘offshore’, nem à utilização de veículos subaquáticos operados remotamente, em operações demoradas e extremamente dispendiosas”.

Com capacidade para descer a seis mil metros e autonomia para ficar semanas no fundo do mar, o robô abre “novas possibilidades para a observação e monitorização de vastas áreas e a grandes profundidades, com custos que são uma fração dos das soluções atuais”, descreve José Miguel Almeida, investigador do instituto.

O custo de operação de um único navio pode equivaler ao de uma frota inteira destes robôs”, sublinha.

De acordo com o INESC TEC, o novo robô, que “vai revolucionar o apoio logístico nas operações do mar profundo”, tem a primeira missão marcada para maio de 2027, altura em que permanecerá no fundo do oceano Atlântico durante duas semanas, no âmbito de um projeto europeu.

O investigador José Miguel Almeida explica que se trata de “um sistema muito inovador, pela componente da função de suporte logístico a operações no fundo do mar em lugares remotos”.

“Permite transportar e recuperar equipamentos, como nós sensoriais do fundo do mar, recolher os dados por eles registados e recarregar as respetivas baterias”, observa.

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O INESC TEC lembra que a investigação oceanográfica atual “é muito dependente da existência de navios de investigação como ponto central” e a PETRA “rompe com este paradigma”.

“O custo de operar as embarcações convencionais envolve tripulações, motores e geradores a combustão, ruído. Muitas das operações que estas embarcações fazem podem ser, num futuro muito próximo, efetuadas de forma mais eficiente recorrendo a plataformas como a PETRA, possibilitando escalar estas operações e a recolha de informações mais densas espacial e temporalmente”, explica o investigador José Miguel Almeida.

Por outro lado, “mesmo em dias de tempestade, este robô pode continuar a operar”.

“Nas zonas polares, onde no inverno é praticamente impossível chegar com embarcações, passamos a conseguir recolher dados durante todo o ano”, assegura o cientista.

O INESC TEC sustenta que as capacidades da PETRA se estendem ao domínio da defesa e segurança nacional.

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