Culto Macabro lançam “Santo Ofício”, um mergulho implacável na memória da Inquisição
“Santo Ofício” é o novo e terceiro álbum dos Culto Macabro, editado no passado dia 3 de fevereiro pela Nekrogoat Heresy. Forjada nas sombras desde 2015, a entidade de black metal regressa com um trabalho denso, violento e historicamente carregado, onde o fanatismo religioso e a crueldade institucional assumem o papel central.
Conceptualmente, “Santo Ofício” ergue-se como um ataque frontal à memória da Inquisição, evocando algumas das suas figuras e episódios mais sombrios. Cada faixa funciona como um capítulo de um grimório profano, revisitando perseguições, torturas, manipulação espiritual e o peso da intolerância que marcou séculos de terror.
As letras percorrem momentos e símbolos históricos como o Tribunal do Santo Ofício, a origem da Inquisição, a figura do Papa Paulo III, os rituais proibidos da carne, a presença da bruxaria em Portugal e o destino trágico das Bruxas de Aljezur. O disco afirma-se, assim, como um manifesto de denúncia e profanação, um grito de revolta contra o fanatismo que devastou vidas e culturas.
Musicalmente, a banda mantém a sua abordagem crua e ritualista, reforçando a ligação ao underground extremo nacional com duas versões particularmente simbólicas: “Sodoma Triunfante”, dos Martelo Negro, e “Fortress Of (Firstborn) Evil”, dos The Firstborn. Ambas são reinterpretadas sob a aura negra e a ferocidade característica do projecto.
O álbum conta ainda com a participação especial de Gustavo Vieira, ex-teclista dos The Firstborn, que contribuiu nos temas “O Lamento de Ovatsug” e na própria versão de “Fortress Of (Firstborn) Evil”, acrescentando novas camadas atmosféricas ao registo.
Com “Santo Ofício”, os Culto Macabro consolidam a sua identidade dentro do black metal português, apresentando um trabalho conceptual coeso, sombrio e profundamente enraizado na memória histórica, sem concessões e fiel ao espírito mais extremo do género.