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15 Setembro 2026

Inteligência Artificial ajuda a prevenir cegueira provocada por glaucoma

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Uma equipa de investigadores criou uma tecnologia baseada em Inteligência Artificial (IA) para detetar precocemente os doentes com glaucoma que correm maior risco de perda de visão no futuro, revelou a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

“Esta investigação conseguiu usar a IA para prever o ritmo de progressão futura e a agressividade do glaucoma com uma fotografia do nervo ótico numa única consulta”, explica o professor da FMUP João Barbosa Breda, único português que integra a equipa internacional de investigadores.

Para desenvolver esta tecnologia capaz de predizer o risco de progressão futura da doença a dois e cinco anos, os investigadores treinaram o modelo de IA com 161.827 imagens do nervo ótico de 13.913 doentes.

Os dados foram obtidos retrospetivamente num centro académico de Leuven, na Bélgica.

Citado no resumo do estudo enviado à agência Lusa, o docente da FMUP refere que este modelo permite “adotar mais cedo um plano terapêutico mais intenso para determinados doentes”, bem como “usar mais recursos e consultas nos casos em que se antecipa que o ritmo de progressão será mais acentuado”.

E, lembrando que “quando um doente é diagnosticado com glaucoma o primeiro passo é decidir o seu plano terapêutico”, o especialista acrescenta que, “neste momento, o médico, com uma única consulta, não consegue saber quão rápido ou agressivo aquele glaucoma será”.

Mas com este novo modelo, atualmente em avaliação, espera-se que seja possível detetar “os casos mais agressivos atempadamente, otimizar recursos e adotar tratamentos mais assertivos desde uma fase precoce”, acrescenta.

O estudo foi publicado em agosto na revista científica The Lancet Digital Health.

O glaucoma é uma doença silenciosa e progressiva do nervo ótico (estrutura que liga o olho ao cérebro e transporta as imagens que vemos).

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O principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular, que, se não for tratado, destrói as células responsáveis pela visão, levando à cegueira irreversível.

“Infelizmente, na grande maioria dos casos não dá qualquer sintoma. Essa é a razão pela qual cerca de 50% das pessoas com glaucoma ainda não estão diagnosticadas”, alerta João Barbosa Breda, que assina este estudo com investigadores da Bélgica, de Singapura, da Áustria, da Finlândia, da Alemanha, da França e da China.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, estima-se que o glaucoma afete cerca de 250 mil pessoas em Portugal.

Apesar de não ter cura, a doença pode ser controlada se for diagnosticada atempadamente em consulta de oftalmologia, permitindo travar a sua progressão e preservar a visão, descreve a sociedade no seu ‘site’ oficial.

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