“I’m leaving (CAP. II)” marca o regresso de Frankie Chavez e Peixe através do projeto Miramar
Há um nítido e bem definido fio condutor no caminho que os dois guitarristas Frankie Chavez e Peixe têm vindo a percorrer através do projeto Miramar.
Se o primeiro álbum homónimo, de 2019, pode ser olhado como um diário de viagem numa “estrada que se percorre de forma contemplativa” (Pedro Tenreiro, 2019), e se virmos no segundo, “Miramar II” (2022), o mapa de um espaço que se estende a partir do anterior, como “um laboratório de lugares, um tipo de viagem à volta de um quarto, e o seu desdobramento cénico uma virtude da sua tensão” (Daniel Jonas, 2022), o novo registo, “Miramar III”, a editar no decurso de 2025, é assumido como um álbum de memórias de uma outra natureza.
Em “Miramar III” as memórias persistem, efetivamente, no mesmo espaço que, no entanto, se encontra agora habitado. Há visitas, há ruído, há vizinhos, há interferências, … há possíveis sequelas – como é o caso do novo single “I’m Leaving – Cap. II”, que sucede a “I’m Leaving”, incluido no primeiro álbum do grupo.
“I’m leaving (CAP. II)” é, deste modo, o segundo capítulo de uma história contada sem o recurso a palavras. Pode também ser o regresso a um lugar de onde se partiu e que, por sua vez, deixou de ser origem, para ser destino. É isso que o tempo faz às coisas: confunde-as, recria-as, reinventa-as. O tempo não é mais do que a perceção humana a brincar com as perspetivas, na inconsciente esperança de não se entediar.
É o que sucede também com as composições de “Miramar III”, em que Frankie Chavez e Peixe abordam as memórias sob novos ângulos, numa tentativa de regresso ao tempo e espaço onde foram felizes, na esperança de que esse local tenha mudado, como para eles inevitavelmente mudou.
“Miramar III”, a editar no corrente ano, será assim o terceiro volume de uma história contada a dois, onde as partidas e os regressos fazem parte de uma infinita viagem que se simula no tempo.