Fumar tem efeitos a longo prazo no sistema imunitário
Existem (ainda) mais razões para largar os cigarros. Recentemente, um estudo do Instituto Pasteur, em Paris, França, sugeriu que os efeitos do tabaco no sistema imunitário são muito significativos e podem prolongar-se ao longo de anos. Ou seja, o tabagismo diminui ao longo de anos a capacidade do organismo para combater as infeções, aumentando o risco de doenças crónicas que envolvem inflamação, como artrite reumatoide e lúpus.
Para o estudo, os investigadores analisaram ao longo do tempo amostras de sangue de um grupo de mil pessoas saudáveis com idades compreendidas entre os 20 e os 69 anos. Foram divididos em dois grupos de acordo com o sexo de cada um.
Porquê? Tinham como objetivo analisar o impacto de 136 variáveis, “incluindo o estilo de vida, questões socioeconómicas e hábitos alimentares”, na resposta imunitária. Por isso, expuseram “as amostras de sangue a germes comuns, como a bactéria E. coli e o vírus da gripe, e mediram a resposta imunitária”, explicam.
Graças a isto, concluíram que o tabagismo, o índice de massa corporal e uma infeção causada pelo vírus do herpes tiveram o maior impacto no sistema imunitário, mas também que “o tabagismo criava a maior alteração” e, na realidade, conseguiu ter (quase) o mesmo impacto na resposta imunitária como a idade ou o sexo.
Segundo o estudo, este hábito parece ter “efeitos epigenéticos a longo prazo nas duas principais formas de proteção do sistema imunitário: a resposta inata e a resposta adaptativa”. Explica ainda que “o efeito sobre a resposta inata desaparece rapidamente quando se deixa de fumar, mas o efeito sobre a resposta adaptativa persiste mesmo depois”.
Quando os fumadores que participaram no estudo deixaram de fumar, “a sua resposta imunitária melhorou a um nível, mas não recuperou completamente durante anos”, explica Darragh Duffy, um dos autores do estudo, citado na CNN internacional. Felizmente, algum tempo mais tarde começa a recuperar lentamente, acrescenta.
Para além de tudo disto, o estudo concluiu que “quanto mais uma pessoa fumava, mais alterava a sua resposta imunitária”.