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21 Janeiro 2025

“Corações Rápidos” é o tema que os Linda Martini dão agora a conhecer

Corações Rápidos” é o tema que os Linda Martini dão a conhecer esta quarta feira 22 de janeiro, em antecipação ao novo álbum “PASSA-MONTANHAS”, que sai já esta sexta-feira, 24 de Janeiro. É a canção mais rápida do álbum. É a soberba da juventude e o cinismo da meia-idade, representados num videoclipe realizado por Paulo Segadães com videoarte de Fred Rompante.

https://youtube.com/watch?v=M7jKU8yQE_g%3Ffeature%3Doembed

Os Linda Martini estão de regresso aos álbuns com “PASSA-MONTANHAS”, o primeiro a contar com a participação plena do guitarrista Rui Carvalho (AKA Filho da Mãe), que se juntou a André Henriques, Cláudia Guerreiro e Hélio Morais em 2022.

Foi aliás já com Rui Carvalho a bordo que fizeram a digressão do álbum anterior, “ERRÔR”, e os concertos de celebração dos 20 anos de banda. As muitas horas passadas na estrada apenas aumentaram a vontade de experimentar coisas novas em conjunto, finalmente materializada neste novo disco, que começou a ser desenhado em maio de 2023, quando o quarteto se trancou, durante uma semana, numa residência artística no Serra – espaço cultural, em Leiria.

Seguiu-se o processo habitual de ensaios e composição sobre esse material em bruto, depurado até à forma final das canções que compõem “PASSA-MONTANHAS”, um disco gravado no meio das montanhas da Catalunha, por entre vinhas e cavalos, com o produtor e “amigo” Santi Garcia.

O resultado final é uma reflexão sobre o que é ser uma banda há mais de duas décadas. Como se mantém a bola no ar e como nos sentimos quando ela cai. Sobre o estado das coisas no geral e o atual estado de espírito dos Linda Martini em particular, sobre estados de graça e também algumas coisas sem graça nenhuma.

E, não sendo um álbum conceptual, há, todavia, uma ideia que persiste ao longo de todo o disco: “conversar melhor”, sendo este diálogo agora alargado a um novo elemento. Afinal, talvez seja mesmo isso que se procura, quando quatro pessoas se fecham voluntariamente numa sala e esperam sair de lá com qualquer coisa que não existia antes de entrarem.

Duas décadas depois, é caso para perguntar: que banda são hoje os Linda Martini?

A melhor resposta é dada, como sempre, pelas novas canções, através das quais se desvendam os novos caminhos que a banda está atualmente a desbravar – mais íntimos, mas não menos intensos.

“PASSA-MONTANHAS” será, porventura, um dos mais pesados e emotivos álbuns dos Linda Martini o que, 20 anos depois, não deixa de ser assinalável. Em temas como “Uma Banda” há essa reflexão sobre o que é mesmo isso de ser uma banda, enquanto faixas como “Corações Rápidos” ou “A Mão como a Maré” remetem para a passagem do tempo e para as consequentes mudanças daí decorrentes, até ao nível das relações interpessoais entre os seus membros.

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Pelo meio, provavelmente também sinal dos tempos mais atuais, há ainda algumas das canções mais interventivas e políticas algumas vez feitas pelos Linda Martini. É o caso de “Faz-se de Luz”, de “A Cantiga É” (na qual o espírito de José Mário Branco paira do princípio ao fim) ou de “O Cão Tinhoso”, que funciona quase como um diálogo com o clássico “Avô Cavernoso”, de Zeca Afonso. “Abram alas para ver aí que belo par”, ouve-se a dada altura, numa referência ao avô cavernoso e o cão tinhoso – o ditador e o novo pretendente.

Nesta categoria entram também “Meu Deus”, que fala do grande capital e de quem decide fazer a guerra ou a paz; ou “Pé de Guerra”, a remeter para uma sociedade cada mais polarizada e com necessidade de, mais uma vez, conversar melhor.

Ou seja, se o ponto de partida foi um olhar sobre a própria banda, motivado pela entrada de um novo membro, que obrigou os Linda Martini a fecharem-se sobre si mesmos, esse processo de reflexão e diálogo obrigou-os também a ter uma visão mais abrangente para o mundo à sua volta.

A consequência deste conversar melhor, tanto para dentro como para fora, foi um disco com duas partes distintas, quase como se fossem um lado A e um lado B de antigamente: um centrado no universo mais interior da banda e outro com um olhar mais aberto – e não menos crítico – sobre tudo o que a rodeia.

O mesmo conceito está por trás da capa e do próprio título do álbum, que remete para a adolescência da banda na linha de Sintra, nos anos 90, quando o líder de um gang juvenil se mascarou com um Passa-Montanhas para aterrorizar os membros de outros grupos, criando assim um inimigo comum fictício e unindo antigos adversários para o derrotar.

É caso para dizer que, passadas duas décadas, os Linda Martini podem já não ser os mesmos, mas mantêm-se tão honestos, essenciais e atuais como sempre – basta ouvir “PASSA-MONTANHAS” para o perceber de imediato.

PASSA-MONTANHAS” é apresentado ao vivo a 31 de janeiro no LAV, em Lisboa, e a 1 de fevereiro no Hard Club, no Porto.

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