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28 Março 2019

Como Funciona O Cérebro De Um Psicopata

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Embora o imaginário colectivo incida sempre sobre a delinquência e a maldade quando o assunto é psicopatia, esse transtorno da personalidade é algo mais complexo do que tal associação pode sugerir. Nem todos os delinquentes são psicopatas, nem todos os psicopatas são como Hannibal Lecter, o vilão canibal do filme ‘O Silêncio dos Inocentes’, como explica uma reportagem extensa sobre o assunto publicada no periódico El País.

“Os psicopatas são pessoas com problemas relativamente à manutenção de relações interpessoais e de gestão das emoções. Aparentemente são frios, embora não seja verdade que não tenham emoções – têm-nas, e muito intensas. O que não têm são remorsos, que é o que gera uma tendência à delinquência, mas não em todos os casos, claro”, afirma o médico Jesús Pujol, diretor de pesquisas da Unidade de Ressonância Magnética do serviço de Radiologia do Hospital del Mar, em Barcelona, Espanha.

O investigador liderou uma revisão científica de outros estudos publicados e constatou que o cérebro dos psicopatas é diferente. A pesquisa indica que o stress emocional na infância precipita a maturação excessiva de algumas regiões cerebrais como um sistema de proteção contra o sofrimento, mas termina dificultando também a gestão das emoções.

A complexidade da psicopatia transcende os estereótipos. De facto, um estudo publicado em 2013 na revista Journal of Forensic Science já alertava que a imagem de Lecter como protótipo do psicopata não é muito realista. O personagem foi descrito como “um psicopata de elite, que exibe níveis exagerados de inteligência, modos sofisticados e ardilosos, às vezes até níveis sobre-humanos e supermidiáticos”. Mais compatível com a realidade era, segundo o estudo, Anton Chigurh, o personagem interpretado por Javier Bardem em “Este País Não É Para Velhos”.

O leque de condutas é amplo, mas todos os psicopatas coincidem em uma coisa: as alterações cerebrais que os diferenciam de outros indivíduos sem este transtorno. Pujol e a sua equipa analisaram mais de 400 artigos científicos nos quais foi analisado o cérebro das pessoas com psicopatia através de ressonâncias magnéticas. A meta-análise, publicada na revista científica Psychological Medicine, concluiu que a mente dos psicopatas apresenta uma maturação acelerada de várias regiões cerebrais relacionadas ao processamento emocional e cognitivo. “O cérebro dos psicopatas é diferente do ponto de vista anatómico e funcional. Há diferenças nas áreas que processam a cognição e o raciocínio e nas que processam a atividade emocional. A conexão entre estas duas áreas falha”, explica Pujol.

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Os investigadores concluíram que, do ponto de vista anatómico, havia “uma aparente atrofia da substância cinza” nas regiões dos lobos temporal (onde está a amígdala, relacionada às emoções) e frontal (encarregado das funções cognitivas). “Entretanto, o que depois nós postulamos é que, na verdade, o que havia era um aumento da substância branca, o que implica uma supermaturação dessas áreas”, aponta Pujol.

O estudo sugere que a origem dessa maturação acelerada de algumas regiões cerebrais está em ter sofrido situações de stress emocional em idades precoces. O cérebro desenvolve essa maturação excessiva para se proteger das circunstâncias que lhe causam sofrimento. “Num contexto de stress emocional, a criança desencadeia uma maturação excessiva que implica, por um lado, um bloqueio para fugir do sofrimento e, por outro, transforma a pessoa em alguém não escrupuloso e carente de remorsos”, diz o médico. Ao amadurecer precocemente, a criança amplia a capacidade de tolerância ao sofrimento e consegue esquivar-se dessa situação emocional que lhe fere. Entretanto, esse sistema de defesa provoca danos colaterais: “Eles não têm freio emocional”, sintetiza Pujol. O médico observa que não se trata de um trauma, e sim de algo persistente ao longo do tempo, a ponto de modular a anatomia do cérebro

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