A Mosca edita “a mosca mosca” álbum de estreia que afirma um corpo sonoro em permanente mutação
A Mosca apresenta “a mosca mosca”, o álbum de estreia do coletivo, composto por onze temas criados em contexto de ensaio, de forma espontânea e livre. O disco surge como um objeto sonoro e visual marcado pelo ruído, pela crueza e por uma lógica de construção orgânica, refletindo a identidade de um projeto que se afirma na margem entre o impulso e a intenção.
Vestido de sujidade estética e atravessado por imagens fragmentadas, “a mosca mosca” constrói-se a partir de um universo onde corpos deambulam, porcos consomem cidades e figuras inertes se acumulam num espaço sem hierarquia aparente. Entre o concreto e o simbólico, o disco assume-se como um gesto de afirmação: uma vontade de ser, de dizer, de fazer emergir uma voz que recusa o silêncio.
Essa voz, descrita como a “mosca que habita em cada um de nós”, funciona como eixo central do trabalho – uma presença insistente que zune, que incomoda e que procura alojar-se em quem a escuta. Mais do que um conjunto de canções, o álbum propõe-se como um corpo coletivo em movimento, onde o político e o poético se cruzam numa linguagem aberta, instável e em permanente transformação. “a mosca mosca, não traça”, sintetiza o posicionamento do projeto, recusando leituras fechadas ou trajetórias previsíveis.
Musicalmente, o disco prolonga a abordagem já apresentada em temas como “Corpos em Stock”, onde a banda cruza elementos de jazz, rock e eletrónica experimental, explorando dissonâncias, ruído e estruturas mutáveis. A criação parte de um processo colaborativo, com songwriting assinado por A Mosca, refletindo uma dinâmica interna baseada na improvisação, na escuta e na construção coletiva.
A Mosca é composta por Diogo Lopes (bateria), Maria Ana Guimarães (teclados e sintetizadores), Sara Sousa (voz e teclados) e Tiago Nóia (guitarra e vozes secundárias). A captação, mistura e masterização ficaram a cargo de Tiago Nóia, realizadas na Sala 141 do Centro Comercial STOP, no Porto, espaço que serve também como ponto de encontro e criação da banda. O artwork do disco é assinado por Tiago Santos, prolongando visualmente o universo cru e fragmentado do projeto.