Thomas Youngblood, dos KAMELOT, espera que a IA «siga o seu curso»: «Vamos continuar a fazer as coisas à moda antiga»
A três semanas do lançamento do décimo quarto álbum dos KAMELOT, Thomas Youngblood deu a resposta mais inequívoca que um músico pode dar sobre a IA generativa: espera que tudo isto se esgote por si próprio.
Questionado por Jorge Botas, da Metal Global de Portugal, sobre os artistas que utilizam geradores de IA para produzir melodias, harmonias e letras, o guitarrista enquadrou a questão como uma moda que espera que passe. «Posso dizer-te, apenas como pessoa comum, que tenho esta sensação estranha de que isto vai seguir o seu curso, quer se trate de usar o ChatGPT para perguntar como responder a uma pergunta numa entrevista ou o que quer que seja. Espero que a tendência chegue ao fim quando as pessoas pensarem: ‘Não, isto não vale bem a pena. Não compensa os recursos que consome, tudo isto. Vamos pensar por nós próprios. Vamos continuar a fazer as coisas à moda antiga.’»
Para os próprios KAMELOT, a questão nem se coloca. «Obviamente, com 30 anos de carreira e um décimo quarto álbum, não é algo que sequer considerássemos», disse ele. Quando questionado se alguma vez se sentira tentado a usá-lo para obter uma ideia, a resposta foi categórica: «Não, de todo. A única vez que o usei foi para pegar em todas as datas da digressão e dizer: “Faz-me um itinerário.” Mas é basicamente isso.»
O que o perturba não é tanto a produção, mas sim o ciclo de feedback. «Também dá um pouco de medo, porque começa a aprender quem tu és com base nas tuas perguntas. É estranho. Não sou fã. Espero que desapareça, mas o problema é que as pessoas confiam nestas coisas, tal como no Google. Já falámos sobre o Google há anos, sobre como ninguém pensa por si próprio. Pesquisam no Google. Por isso, talvez venha a ser apenas a próxima iteração do Google, por exemplo.»
É um argumento comum no metal atualmente, e o género está longe de estar unido quanto a isso — Eric «A.K.» Knutson, dos FLOTSAM AND JETSAM, entrevistado na mesma semana, assumiu uma posição quase oposta.
Os KAMELOT lançam «Dark Asylum» a 28 de agosto pela Napalm Records. Já foram lançados dois singles: «Ashen World» e «Godlike Alchemy». O produtor de longa data Sascha Paeth regressou para comandar o álbum, com Jacob Hansen a encarregar-se da mistura e masterização. Ignacia Fernández, a modelo de 28 anos coroada Miss Mundo Chile 2025, participa como convidada em «Ashen World» e «Sanctuary».
O álbum conta com quinze composições interligadas que dão continuidade à narrativa de RavenHill, alternando entre passagens orquestrais e temas mais pesados, impulsionados pela guitarra — uma estrutura que torna a insistência da banda em seguir o caminho mais longo algo mais do que um simples tema de conversa.