The Who: Pete Townshend Relembrou Época Em Que Era Perseguido Pelos Punks
Ao longo da primeira metade da década de 70, o rock ficou chato. Além da acomodação de muitos dos grupos dos anos 60, imperava os alienantes excessos do rock progressivo. Desta forma, o surgimento do punk foi marcado pela ruptura, a rejeição com o passado. Até pouco tempo idolatradas, bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin e The Who foram consideradas dinossauros, e tratadas como inimigos públicos.
Em uma memorável citação de 1995 para a Time, Pete Townshend falou da perseguição que sofreu no reinado do punk: “Aquilo foi muito, muito excitante, desafiante, e foi um martírio aqui para Pete, vou te contar [risos]. Eu acolhi aquilo, apoiei e queria ver acontecer, depois percebi que quem estava na mira deles era eu.”
Efêmero, o punk passou com a mesma velocidade com que surgiu. Dessa forma, em 1979 já estava em declínio, já começando a ser considerado antiquado. Pior que isso, acabou por se tornar justamente aquilo que tanto condenava.
Conforme publicado pela Rock and Roll Garage, em entrevista daquele ano Townshend comentou a perseguição que sofria dos punk rockers. Após definir “Pretty Vacant” (Sex Pistols) como uma “versão moderna” de “My Generation” (The Who), ele disse:
“O que era incrível era que os concertos eram tão frenéticos, tão violentos, principalmente nos primeiros seis meses da coisa, quando [surgiram] bandas como The Clash, The Vibrators e Sex Pistols. Os Sex Pistols não eram capazes de tocar em público — era tão mau. Eles tinham que fazer concertos sem serem anunciados. Por consequência disso, pouquíssimos chegaram a ver eles, [eu não vi], mas vi várias outras bandas. Eu costumava ir aos clubes e ser insultado. Apenas estar lá e aguentar aqueles miúdos snobes a chamarem-me de “cota chato”.”