Nick Cave afirma ter recusado colaborar em canção de Morrissey
Na sua plataforma confessional online Red Hand Files, Nick Cave voltou a vincar a sua admiração pessoal perante Morrissey, quer a personalidade, quer o músico. “Na verdade, nunca conheci o Morrissey, e é provavelmente por isso que gosto dele. É inegavelmente uma figura complexa e controversa, alguém que tem mais dentro dele do que o prazer em irritar as pessoas. Por muito agradável que alguns possam achar isso, não me interessa muito, não fosse o facto de Morrissey ser, provavelmente, o melhor letrista da sua geração – certamente o mais estranho, o mais engraçado, o mais sofisticado e o mais subtil”. Este elogio vai de acordo com outro, em 2019, quando realçou as letras das canções dos Smiths, ‘This Charming Man’, ‘Reel Around the Fountain’ e ‘Last Night I Dreamed Somebody Loved Me’.
Mas Nick Cave não começou a escrever hoje sobre Morrissey do nada, mas, tal como sempre faz, em resposta a perguntas dos fãs. O cantor australiano juntou duas perguntas – “como está a sua relação com o Morrissey?” e se “já alguma vez disse não” a uma proposta de colaboração – numa só resposta. E respondeu desta forma: “tivemos algumas trocas de e-mails agradáveis no ano passado, nas quais Morrissey me perguntou se eu cantaria numa música nova que ele tinha composto. Teria ficado feliz por fazê-lo, no entanto, embora a música que ele enviou fosse adorável, começava com uma introdução longa e totalmente irrelevante de bouzouki grego. Parecia também que não queria que eu cantasse a música, mas sim que cantasse por cima do bouzouki um discurso anti-woke desnecessariamente provocador e um pouco tonto que ele tinha escrito”. E acrescentou que “embora eu suponha que concordasse com o sentimento a algum nível, simplesmente não era a minha praia. Procuro manter a política, cultural ou de qualquer outra natureza, fora da música com que me envolvo. Penso que isto tem um efeito decrescente e é antitético a tudo o que estou a tentar alcançar. Então, Astrid, recusei educadamente. Eu disse que não”.