Lucy descobre asteroide “amendoim” que oscila no espaço e guarda pistas sobre água antiga
Os dados agora publicados na revista Science mostram que Donaldjohanson não gira de forma estável como a maioria dos planetas e asteroides. Em vez disso, comporta-se como um pião desequilibrado. Enquanto completa uma rotação “de ponta a ponta” a cada 10,5 dias terrestres, também oscila lentamente em torno do seu eixo principal num ciclo de 26,5 dias.
As imagens recolhidas pela Lucy revelaram igualmente que o asteroide possui uma estrutura bilobada: dois corpos ligados por uma espécie de “pescoço”, formando uma silhueta semelhante à de um amendoim. Os investigadores acreditam que esta forma resultou da colisão de um asteroide maior, há cerca de 155 milhões de anos. Os fragmentos produzidos pelo impacto terão voltado a juntar-se lentamente devido à sua própria gravidade.
Mas a história não termina aí. Os cientistas concluíram que Donaldjohanson rodava pelo menos dez vezes mais depressa quando se formou. Ao longo de dezenas de milhões de anos, a sua rotação foi travada por um fenómeno subtil conhecido como efeito YORP. Neste processo, o calor absorvido do Sol é reemitido sob a forma de radiação infravermelha, produzindo pequenas forças que, acumuladas ao longo de muito tempo, conseguem alterar a velocidade de rotação de um asteroide.
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Outra descoberta intrigante foi a presença de minerais argilosos ricos em ferro. Estes minerais só se formam na presença de água líquida, sugerindo que Donaldjohanson teve contacto com água no passado remoto. No entanto, essa exposição parece ter sido breve. Ao contrário dos asteroides Bennu e Ryugu, onde foram encontrados minerais que indicam longos períodos de interação com água, os vestígios observados pela Lucy apontam para um episódio muito mais curto.
Para os investigadores, comparar Donaldjohanson com Bennu e Ryugu poderá ajudar a reconstruir a história dos primeiros tempos do Sistema Solar. Embora pareçam semelhantes, as diferenças entre estes objetos sugerem origens e percursos distintos.
A missão Lucy tem pela frente um desafio ainda maior: explorar os asteroides troianos de Júpiter, considerados autênticas cápsulas do tempo da formação planetária.