Karseron voltam a Évora para incendiar a Harmonia com “puro e honesto eborae death metal”
Na década de 1990, quando as formas mais extremas do heavy metal começavam a encontrar novos caminhos de divulgação através de fanzines, tape trading e gravações caseiras, também em Portugal surgiam projetos determinados a construir o seu próprio percurso. Em Évora, uma dessas histórias escreve-se há já três décadas: a dos Karseron.
Ao longo de 30 anos, a banda atravessou diferentes formações e manteve-se fiel a uma sonoridade enraizada no metal extremo, acompanhando a evolução de uma cena que, entretanto, deixou de depender exclusivamente das cassetes e dos meios de divulgação underground para chegar a um público muito mais vasto.
O percurso dos Karseron passa pelas primeiras gravações domésticas e pela demo Frozen Tears, de 1999, seguindo depois por lançamentos como a compilação Ten Years Of Punishment, Krux Krucis e o EP Nail Your God Down, editado em 2017 e representativo da fase mais recente da banda.
Mas uma das páginas mais aguardadas da história do grupo só seria escrita em 2025. Em colaboração com a editora eborense Maledict Records, os Karseron finalmente trouxeram à superfície Dolorosa Salva Via, o seu primeiro longa-duração — um álbum que esperou 20 anos para ver a luz do dia.
É ainda no âmbito da promoção de Dolorosa Salva Via que o quarteto regressa agora à cidade onde tudo começou. O encontro está marcado para 10 de outubro, sábado, na Sociedade Harmonia Eborense, palco que tem um significado especial para a banda e onde os Karseron atuaram pela última vez em 2014.
A promessa é de um concerto que atravessa a discografia do grupo e recupera diferentes momentos de uma carreira construída com persistência, longe de atalhos e tendências passageiras.
Para Gualter Charrua, guitarrista e membro fundador, regressar a Évora tem um significado que vai muito além de tocar em casa. “Aquece sempre o nosso black heart pisar um palco na terra que nos deu origem. E na Sociedade Harmonia tem outro sabor”, afirma o músico, recordando também o “carinho e memórias pessoais” associados àquela que considera uma verdadeira instituição eborense.
E quem esperar uma produção megalómana pode esquecer. O concerto será, segundo Charrua, exatamente aquilo que os Karseron sempre defenderam: “sem surpresas, sem convidados especiais, sem balões e sem confetes”.
No lugar de tudo isso fica a música e três décadas de história.
“Apenas puro e honesto eborae death metal.”
No dia 10 de outubro, Évora volta a receber os Karseron. Desta vez, com 30 anos de percurso às costas e uma história que começou quando o metal extremo português ainda se construía à margem, entre cassetes, fanzines e uma vontade quase teimosa de fazer música sem pedir licença.