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20 Agosto 2026

Henry Rollins anuncia novo livro autobiográfico sobre uma infância marcada pelo abandono e pela violência 

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O antigo vocalista dos Black Flag prepara Bait Dog Boy, obra que chegará às livrarias em março de 2027 e na qual promete contar, pela primeira vez, uma história pessoal que evitou durante grande parte da vida.

Henry Rollins prepara-se para abrir um dos capítulos mais pessoais da sua vida com Bait Dog Boy, novo livro autobiográfico que será publicado a 2 de março de 2027, nos Estados Unidos, pela Penguin Random House, e no Reino Unido pela Little, Brown Book Group.

Aos 65 anos, o antigo vocalista dos Black Flag continua a explorar diferentes territórios criativos. Depois de se afastar progressivamente da actividade musical, Rollins tem dividido o seu percurso entre a escrita, a representação, a apresentação e as palestras. Agora, regressa ao formato autobiográfico para revisitar uma infância e adolescência marcadas por experiências particularmente difíceis.

Segundo a editora, Bait Dog Boy será a primeira vez que Rollins conta de forma integral uma história que passou grande parte da sua vida a evitar. O livro acompanha os primeiros anos do músico em Washington, D.C., numa infância caracterizada pela instabilidade familiar, pela ausência de afecto e por sucessivos encontros com adultos abusivos.

É também nessa fase que surge uma das figuras fundamentais da sua vida: Ian MacKaye. O encontro entre os dois acabaria por conduzir Rollins ao punk rock, descobrindo na música uma possível saída para uma realidade marcada pelo isolamento.

“O que acontece quando uma criança cresce sem amor?”

A obra é apresentada pela editora como “um relato angustiante de uma infância despedaçada e da esperança de uma saída”.

No centro do livro está uma questão particularmente dura: o que acontece quando uma criança cresce num vazio quase completo de amor?

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É a partir dessa pergunta que Rollins revisita acontecimentos que ajudaram a moldar a pessoa e o artista que viria a tornar-se. A narrativa promete manter a linguagem frontal que caracteriza a escrita e a intervenção pública do músico: sem filtros, directa e, por vezes, brutal.

O próprio Rollins resume a filosofia que atravessa o livro numa declaração igualmente contundente:

“Não tenho nenhum desejo de ser um sobrevivente. Prefiro aceitar, absorver, adaptar-me, lutar e destruir tudo o que tenta destruir-me — ser, no fim, aquilo que resta.”

A publicação não representa, contudo, a primeira incursão de Rollins na autobiografia. O músico já abordou anteriormente diferentes momentos da sua vida, mas Bait Dog Boy assume uma dimensão particularmente íntima ao concentrar-se nos anos que antecederam a sua entrada no universo punk.

Do punk à escrita

A ligação de Rollins ao punk tornou-se determinante para a sua vida. A descoberta da música e o encontro com Ian MacKaye abriram uma porta para uma comunidade e uma linguagem que lhe permitiram escapar, pelo menos parcialmente, ao ambiente em que cresceu.

A sua passagem pelos Black Flag transformou-o numa das figuras mais reconhecidas do hardcore punk norte-americano. Ao longo das décadas seguintes, Rollins expandiu a sua actividade para outros territórios, tornando-se escritor, actor, apresentador e orador.

Apesar de já não manter uma actividade regular enquanto músico, continua ligado ao universo musical. Recentemente, juntou-se novamente a Ian MacKaye para recuperar e reeditar gravações antigas dos The Cramps, pioneiros do psychobilly. O álbum GRAVEST GRAVY tem lançamento previsto para 21 de agosto.

Agora, porém, é a própria história de Rollins que ocupa o centro do palco.

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