Dezenas de países defendem IA “segura, fiável e robusta”
Dezenas de países, incluindo os Estados Unidos e a China, defenderam uma Inteligência Artificial (IA) “segura, fiável e robusta” numa declaração conjunta divulgada hoje, no final da cimeira que abordou o tema, em Nova Deli.
“Promover uma IA segura, fiável e robusta é essencial para construir confiança e maximizar os benefícios sociais e económicos”, lê-se na declaração, assinada por 86 países e duas organizações internacionais.
O documento não contém compromissos concretos, mas destaca várias iniciativas voluntárias e não vinculativas, principalmente para a integração internacional de capacidades de investigação em IA.
“Acreditamos que o potencial da IA só será plenamente realizado quando os seus benefícios forem partilhados por toda a humanidade”, refere-se na declaração publicada no final desta cimeira de cinco dias.
O documento descreve o advento da IA como “um ponto de viragem na trajetória da evolução tecnológica”.
“Os compromissos assumidos não são totalmente insignificantes; o importante é que existam compromissos”, declarou o informático Stuart Russell à agência noticiosa France-Presse (AFP).
“Espero que todos os países possam aproveitar estes acordos (…) para desenvolver compromissos juridicamente vinculativos com o objetivo de proteger as suas populações, para que o desenvolvimento e a implementação da IA possam continuar sem representar riscos inaceitáveis”, prosseguiu Russell.
Dezenas de delegações de todo o mundo reuniram-se esta semana na capital indiana para discutir, entre outros assuntos, como regular esta tecnologia em rápido desenvolvimento.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o Presidente francês, Emmanuel Macron, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e figuras de destaque da indústria tecnológica, incluindo Sam Altman, da OpenAI, discursaram na cimeira, que começou na quinta-feira.
Entre os temas mais urgentes estavam os benefícios sociais da tradução multilingue por IA, as ameaças ao emprego e o consumo de energia dos centros de dados.
Durante as discussões, surgiram duas abordagens distintas para a gestão do desenvolvimento da IA.
António Guterres confirmou o lançamento de uma comissão científica encarregada de tornar o controlo humano da IA uma realidade técnica.
Os Estados Unidos rejeitaram “totalmente” qualquer governação global da inteligência artificial na sexta-feira, segundo o conselheiro de ciência e tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios. Recorde-se que os Estados Unidos não assinaram a declaração na conferência do ano passado, em Paris.
O presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou na quinta-feira que esta tecnologia em rápido desenvolvimento necessita urgentemente de regulamentação.