Como As Redes Sociais Podem Ter Efeitos Nefastos Na Saúde Mental
O uso da internet e das redes sociais contribui para o sentimento de solidão, mesmo quando há indicadores de bons contactos sociais face-a-face. É esta a conclusão de um estudo dos investigadores Rui Costa e Ivone Patrão, do ISPA-Instituto Universitário, que procurou avaliar a relação entre o uso problemático (ou vício) da internet e o grau de interacção social.
Os resultados revelam que, mesmo com bons indicadores de contactos pessoais e uma boa rede familiar e social – nomeadamente a não-interferência de tempo gasto online nas relações interpessoais – geram-se associações a sentimentos de solidão.
Tal poder-se-á dever ao facto de a comunicação online não proporcionar a riqueza sensorial que o cérebro necessita para que se gerem sentimentos de conexão social. Ao longo da evolução, o organismo humano desenvolveu processos neurofisiológicos que lhe permitem sentir-se socialmente ligado através da informação que recebe pelos sentidos face-a-face e do feedback corporal. Como esta informação sensorial está em grande medida ausente na comunicação online, é de esperar que esta gere sentimentos de solidão, afectando mesmo quem não tem razões objectivas para se sentir só.
A comunicação através das redes sociais é a actividade mais estreitamente ligada ao vício da internet. O seu objectivo, o de conectar pessoas, tem vindo gradualmente a construir um paradoxo, com um número crescente de literatura a demonstrar que a comunicação online contribui em grande parte para o desenvolvimento de sentimentos de solidão, conduzindo a efeitos nefastos para a saúde mental incluindo ansiedade e mesmo depressão. Este processo pode passar despercebido a muitos utilizadores que procuram constantemente ultrapassar o sentimento de solidão através de mais contactos online, criando assim um ciclo vicioso de dependência das tecnologias de comunicação, facilmente observada hoje em dia.