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26 Setembro 2026

Al Jourgensen garante que Ministry acabou

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Al Jourgensen prepara-se para fechar 45 anos de Ministry com Hate To Go (Take Out Or Delivery) e garante que, depois da última digressão, não haverá regresso

Os Ministry estão oficialmente a preparar a despedida. A banda liderada por Al Jourgensen acaba de lançar “We Hate”, o segundo avanço de Hate To Go (Take Out Or Delivery), álbum que chega a 30 de outubro pela Cleopatra Records e que será o último capítulo de uma carreira com 45 anos. O novo single mantém a tradição política e provocadora dos Ministry, desta vez com uma crítica particularmente direta ao atual panorama político norte-americano. “We Hate” surge acompanhado por um videoclip realizado por Joshua Bradford e sucede a “Burned Out”, lançado em julho. Mas o novo disco não é apenas mais um álbum de protesto. Para Jourgensen, trata-se realmente do ponto final. “Estou completamente em paz com o facto de ter terminado. Está na altura de pastorear cabras”, afirma o músico, que garante não existir qualquer possibilidade de uma mudança de ideias no futuro. “Não vai haver um momento em que pense subitamente: ‘Espera! Tive algumas ideias, vou fazer outro disco dos Ministry’. Estou farto. Estou orgulhoso do que consegui fazer”, explica Jourgensen, olhando para um percurso que começou no final dos anos 70 e atravessou punk, electro-pop, industrial e metal.

“Nada mudou”

Hate To Go começou a ganhar forma em 2025, no estúdio caseiro de Jourgensen, com os engenheiros Justin Leeah e Michael Rozon. O músico contou ainda com a atual formação dos Ministry: Monte Pittman e Cesar Soto nas guitarras, Paul D’Amour no baixo, John Bechdel nos sintetizadores e Pepe Clarke Magaña na bateria. O disco volta a mergulhar nos temas políticos que acompanham a carreira dos Ministry há décadas. E Jourgensen admite que existe uma sensação de frustração ao perceber que muitas das mensagens da banda continuam atuais. “Estou a ouvir a minha história e é praticamente a mesma coisa 40 anos depois”, explica. “Há algumas exceções, mas o resto são praticamente as mesmas mensagens políticas que temos transmitido há 35 ou 40 anos.” A conclusão é ainda mais dura: “Tenho dito a mesma coisa durante 30 anos e nada mudou.” É precisamente essa constatação que alimentou o último trabalho. Se o mundo não mudou, Jourgensen decidiu que os Ministry podiam pelo menos sair de cena a lutar. “Foi frustrante. Mas, por outro lado, foi divertido saber que este era o nosso último disco, porque podíamos sair a lutar. É como dizer: ‘Foda-se, estamos fartos disto’.”

IA, política e o fim do mundo

Entre os temas do álbum estão “Crickets”, “Delete” e “Singularity”, além de “We Hate” e “Burned Out”. A tecnologia assume também um papel importante no disco, com Jourgensen a recorrer a inteligência artificial para criar samples vocais e outros elementos sonoros. A experiência, porém, esteve longe de ser pacífica. “Foi divertido poder trabalhar com IA antes de ela se tornar o nosso senhor”, conta. O músico diz mesmo estar convencido de que a tecnologia “já é senciente” e admite que o processo foi simultaneamente divertido, frustrante e assustador. Jourgensen revela ainda que chegou a “romper” com o ChatGPT durante o processo criativo. “Era como uma relação má: começava a chatear-te com certas coisas.” Apesar da utilização da tecnologia, o músico garante que as ideias e sentimentos presentes nas vozes artificiais partiram de conceitos que pretendia explorar, e não de uma tentativa de fabricar declarações falsas atribuídas a figuras públicas. Para Jourgensen, a IA é apenas mais uma peça num cenário global que considera cada vez mais instável. “O mundo está realmente num ponto de viragem neste momento”, afirma, antecipando um futuro em que economia, governos e tecnologia poderão sofrer transformações profundas.

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Paul Barker regressa para o último tema

O álbum terá ainda um momento particularmente simbólico. Paul “Ion” Barker, colaborador fundamental dos Ministry entre 1986 e 2004 e antigo parceiro criativo de Jourgensen também nos Revolting Cocks, participa no tema final, “We’re Still Here”, contribuindo com baixo e programação.

A música representa, para Jourgensen, uma espécie de sobrevivência depois do apocalipse. “É como se tivéssemos conseguido. É bastante marcante e é uma grande canção épica para terminar a carreira”, afirma.

O alinhamento de Hate To Go (Take Out Or Delivery) é composto por dez temas:

* “The White Man Lied” não estará disponível nas edições em cassete e vinil.

A última volta à estrada

A despedida dos Ministry não ficará limitada ao álbum. A banda vai embarcar na sua maior campanha de digressão de sempre durante grande parte de 2027, incluindo 21 datas europeias integradas na Goodbye Europe 2027, com os Die Krupps como convidados especiais.

E Jourgensen não deixa margem para dúvidas sobre o que acontecerá depois do último concerto.

“Depois do último espetáculo, quando largar o microfone, terão mais hipóteses de me ver com um crachá no Walmart a arrumar carrinhos do que a fazer alguma coisa relacionada com música. Acabou.”

É uma afirmação tão definitiva quanto improvável parece para alguém que passou 45 anos a transformar raiva, distorção e caos em música. Mas Al Jourgensen insiste que desta vez é mesmo o fim.

E, antes de desaparecer dos palcos, ainda tem quatro vídeos para apresentar — “We Hate”, “Singularity”, “Burned Out” e “Crickets” — e uma última oportunidade para fazer aquilo que os Ministry sempre fizeram melhor: olhar para o mundo, encontrar o que está errado e aumentar o volume até ninguém conseguir ignorá-lo.

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